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Desde as primeiras
edições, temos demonstrado alguns projetos onde utilizamos placas do
tipo padrão na montagem. Recebemos algumas cartas e e-mails, com
dúvidas sobre o uso deste tipo de placa. Neste artigo esclareceremos
estas dúvidas, mostrando os “macetes” necessários e também auxiliando
na escolha da placa certa para cada projeto.
Existem atualmente no mercado muitos tipos de placa padrão, ou placa
de protótipo como alguns preferem chamá-la. Estas placas possuem
características diferentes, como: número de ilhas, presença (ou não)
de trilhas ligando estas ilhas, face simples ou dupla face (estas com
furos metalizados), tamanho, etc.
Alguns modelos possuem apenas ilhas (figura A) e as trilhas (ligações
entre os componentes) devem ser construídas. Algumas placas possuem
trilhas em apenas um sentido, unindo todas as ilhas de uma mesma
linha, como mostra a figura B.
Outros tipos possuem ilhas e trilhas com ligações diversas. Temos
ainda um terceiro tipo de placa que “imita” as ligações presentes numa
matriz de contato (figura C).

Há outros tipos e
modelos, mas os três citados acima são os mais comuns e mais simples
de se encontrar no mercado especializado.
Por que usá-las?
O leitor deve ter em mente que muitas empresas utilizam este tipo de
placa para pequenos, médios e até grandes “protótipos”. O custo para
se preparar um desenho da placa (layout ou PCB) mais o custo da
confecção de uma única placa para testes pode, muitas vezes, encarecer
o projeto. E vivemos em um momento (que às vezes parece eterno!) de
contenção de despesas. Conhecer e saber utilizar este tipo de placa
pode muitas vezes, fazer a diferença entre candidatos a uma vaga de
emprego.
Empregar este tipo de placa é uma questão de análise. Verifique o tipo
de projeto, a velocidade necessária para se preparar um protótipo, o
ambiente onde o protótipo será testado, custos, etc. O leitor
verificará que em se tratando de protótipos, as placas tipo padrão são
uma escolha razoável e às vezes lógica.
Vantagens e desvantagens
As vantagens oferecidas por placas tipo padrão são:
-
Velocidade de
montagem. Estando uma vez familiarizado com as técnicas necessárias,
um projeto pode ser montado e testado em poucas horas. Em placas de
circuito impresso, temos que somar o tempo para desenvolvimento do
“layout” (PCB), que depende da complexidade da mesma, mais o tempo
de confecção da placa que dependerá ainda do tipo de técnica
utilizada (quando confeccionada internamente) ou mesmo de uma
empresa terceirizada contratada para realizar o serviço (mais
custos!).
-
Não existe limite
de complexidade para montagens em placa tipo padrão. Pequenos,
médios e complexos circuitos digitais e analógicos podem ser
“transferidos” para placas tipo padrão.
Como nem tudo “são
flores”, existem também desvantagens na aplicação deste tipo de placa.
São elas:
-
EMI (“Eletromagnetic
Interference” - Interferência Eletromagnética). Projetos digitais
com uso de microcontroladores podem sofrer interferências em
ambientes muito ruidosos geralmente compostos por muitas máquinas
elétricas, solenóides, etc. (ambiente industrial). Problemas com EMI
afetam, na realidade, qualquer tipo de montagem (padrão, circuito
impresso, ponte de terminais, etc.). Portanto, é necessário conhecer
bem o ambiente de testes. Assim, podemos contornar problemas futuros
com nossos protótipos empregando técnicas de controle da EMI.
Tamanho. Uma placa
de circuito impresso, pode ser até 70% menor que uma placa padrão,
porém devemos lembrar que estamos falando de protótipos e não de
circuitos finais. Geralmente, nos protótipos industriais,
trabalhamos com componentes em encapsulamento tipo DIP. As placas de
produção utilizarão componentes SMD (montagem de superfície).
Manutenção.
Dependendo da quantidade dos componentes presente na placa, o tipo
de montagem escolhida e outras, a manutenção (troca de componentes)
pode se tornar difícil.
As placas padrão
podem e devem ser utilizadas em protótipos e projetos que não serão
reproduzidos mais que uma vez. Não devemos usar este tipo de placa
para “produção” (industrialização). Na figura abaixo, vemos o exemplo
da placa montada para o robô ADR-2 (publicado da edição nº 8). A
escolha por este tipo de placa foi feita levando em consideração a
simplicidade do circuito, o “design” exigido pela mesma, além da
necessidade da montagem de apenas um único protótipo.

Técnicas
Muitas são as técnicas empregadas para se construir um circuito em uma
placa padrão. Exemplificaremos apenas as mais conhecidas. Porém, é
necessário que o leitor tenha em mente que para se montar um projeto
com este tipo de placa é necessário ter todos os componentes da
montagem em mãos. Somente assim, é possível calcular o “espaço”
necessário e também qual a melhor disposição para os componentes. Esta
análise é feita considerando o gabinete do protótipo (se ele existir),
os tipos de componentes escolhidos (existem componentes com
disposições diferentes para seus pinos), etc.
Um outro ponto fundamental é conhecer bem os componentes. Componentes
como capacitores eletrolíticos, diodos, transistores, CIs e outros
possuem polarização. Aqui, como na montagem de placas de circuito
impresso confeccionadas, os cuidados são os mesmos. E caso o leitor
não saiba como identificar os pinos de um determinado componente deve
recorrer aos “Data Book’s”.
Todos os fabricantes de componentes, atualmente, distribuem
gratuitamente através da Internet os “Data Book’s” (manuais
descritivos) de seus componentes através de seus respectivos “sites”.
No site da Infotronic (www.infotronic-pe.com),
na seção "Links" há alguns endereços para sites que disponibilizam
informações de inúmeros componentes. Os manuais geralmente estão em
língua inglesa.
| Montagem de
trilha com solda Esta
técnica pode ser utilizada em placas com apenas “ilhas” e também
em placas com trilhas em um único sentido. Primeiramente,
colocamos solda nas ilhas por onde a trilha “passará” de maneira a
preenchê-las (figura a esquerda). Depois, realizamos a ligação das
ilhas preenchendo o espaço entre estas com solda (figura a
direita). É necessário que a primeira ligação resfrie-se por
completo para realizar a próxima. |
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Um ponto importante nesta
técnica é que as trilhas devem ser feitas sempre se orientando
por eixos imaginários “X” e “Y”. Não devemos traçar trilhas na
diagonal. A figura ao lado exemplifica isto.
Também é necessário ter em mente que não devemos exagerar na
quantidade de solda aplicada, assim como também no tempo de
contato entre o ferro de solda e a placa. Como nas placas de
circuito impresso, as ilhas podem se soltar.
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Montagem
com uso de fio
Esta técnica é utilizada com qualquer tipo de placa. Ela consiste em
ligar os pontos desejados com fios preferencialmente finos, encapados
e rijos (tipo “wire-wapping”). Os fios podem ser ligados por cima da
placa ou mesmo por baixo. Assim, podemos aproveitar melhor o espaço da
placa.
Na figura abaixo, o fio é ligado ao ponto “A” (a ponta do fio deve
estar previamente desencapada).

O comprimento do fio é então preparado para além de
proporcionar a ligação ao ponto “B”, poder também ter uma pequena
“folga” para que o trabalho com outros pontos seja facilitado, caso
precisemos levar para um lado, ou para outro a ligação feita. Isto
deve ser levado em consideração sempre que trabalhamos com muitos
pontos e também para que seja possível “alinhar” tudo. Veja um exemplo
na figura abaixo.

Corte de trilha
Muitas vezes, quando lidamos com placas com trilhas, precisamos
“desconectar” parte da trilha para evitar o contato de pontos. Depois
de planejado o layout, ou seja, a disposição dos componentes, devemos
verificar quais pontos não devem ser conectados e se existe alguma
trilha realizando esta conexão indesejável. De posse de um estilete,
realizamos o corte da trilha conforme exibem as figuras abaixo. Esta
operação exige cuidado, pois não devemos cortar nada além do previsto,
inclusive outras trilhas e nosso dedo!

Misturando tudo
O leitor pode e verá que, às vezes se faz necessário o uso de mais de
uma técnica para montagem de uma placa. Geralmente, placas medianas
exigem isso. As ligações mais longas são feitas com fio e as mais
curtas com trilhas feitas com solda.
Acabamento e proteção
Em alguns casos acontece da placa montada ser utilizada fora de
gabinetes e outros. Isso é muito comum em pequenos gravadores de
microcontroladores, placas de teste onde precisamos colher sinais em
pontos diversos, e muitas outras. Nestas situações, estando todos os
testes de ligações aprovados, o leitor poderá providenciar uma
proteção para as ligações, principalmente as feitas por baixo da
placa. Esta proteção pode ser feita com espuma de poliestireno
(bandejas de carne!), Isopor, plástico, etc. A figura abaixo demonstra
uma placa montada e protegida.
Paciência e Perseverança
Toda “novidade” requer paciência no seu aprendizado. Muitas vezes, as
primeiras tentativas não são bem sucedidas. É necessário perseverança.
O leitor notará que a cada tentativa, seu trabalho ficará cada vez
melhor, as técnicas lhe parecerão automatizadas e as dificuldades
iniciais serão eliminadas.
E para praticar, o leitor poderá utilizar o esquema fornecido na
figura abaixo. Trata-se de um pequeno pisca-pisca com o integrado
NE555 que poderá, depois de montado, ser utilizado como “alegoria” em
um robô qualquer.

A figura abaixo apresenta nosso protótipo com vista
superior (lado dos componentes) e vista inferior (lado da solda). O
leitor poderá usar esta figura como exemplo para uma melhor
orientação. Note que utilizamos um suporte de circuito integrado para
o NE555. Assim, evitamos queimá-lo com o excesso de calor. Um outro
ponto a ser cuidado é o distanciamento dado aos componentes. A placa
poderia ficar mais compacta, mas acreditamos que isso prejudicaria o
entendimento das ligações.

Após a montagem verifique todas as ligações
realizadas, orientando-se pelo esquema elétrico. Isso pode ser feito
com um teste de continuidade como o apresentado na figura abaixo. Com
todas as ligações checadas e confirmadas, é hora do teste final.
Insira as pilhas no soquete e verifique o funcionamento do circuito. O
LED deverá piscar, em uma freqüência de aproximadamente 1,5 Hz
(período de 0,67 s).

Conclusão
O mercado de trabalho hoje é muito competitivo. Muitas vezes, a
diferença entre dois candidatos a uma vaga de emprego pode ser medida
pelo conhecimento de cada um. É importante que mesmo sem gostar de
trabalhar com placa “X” ou “Y”, o leitor saiba e domine as técnicas
aqui apresentadas. Isso pode ajudar na sua “empregabilidade futura”.
Pratique sempre que puder e boas montagens!
Lista de materiais
Semicondutores
CI1 - NE555 ou equivalente
LED1 - LED comum redondo vermelho
Resistores (Todos 1/8 W)
R1, R2 - 100K (marrom, preto, amarelo)
R3 - 1K x (marrom, preto, vermelho)
Capacitores
C1 - 10 mF x 16V (eletrolítico)
C2 - 100 mF x 16V (eletrolítico)
Diversos
- Placa padrão 10cm x 10cm (mínimo) para montagem
- Soquete
para CI 8 pinos
- Fio fino e encapado tipo wire-wrapping
- Ferro de
solda e solda, etc.
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